O ADVOGADO DAS MOTAS
Foto: Estou de volta a Lisboa. Depois de 2840 quilómetros de mota no "Portugal Lés-a-Lés 2009", regresso ao meu "carro de seis rodas" :-)
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notícia TVI aos 2m13segundos
“Os heróis do Lés-a-Lés”
Escrevo esta crónica ainda com o “semi-bronzeado” do Lés-a-Lés 2009. O semi-bronzeado consiste naquele aspecto “patusco” de meia cara bronzeada acompanhada de uma testa branca (consequência de muito tempo a conduzir ao sol com capacete aberto J).
Já tinha sido convidado para fazer o Lés-a-Lés dos anos anteriores mas, por uma razão ou por outra, nunca o tinha realizado. Desta vez, e tendo por “móbil” a aprovação da “Lei das 125cc”, resolvi não deixar passar mais tempo e aceitei dizer “Presente” na linha de partida. Fiz equipa com o deputado Miguel Tiago que viria a mostrar grande resistência, quer ao passeio de mais de mil quilómetros, quer às minhas conversas de política ainda no rescaldo das eleições europeias J
A convite da Yamaha, levámos duas Ténéré 660 novinhas em folha. Como precisava de fazer a rodagem e primeira revisão antes de arrancar para o Lés-a-Lés, resolvi fazer alguns quilómetros “à pressa” nos poucos dias que me restavam para o arranque. Aproveitei (mais) uma noite de insónia e saí de casa às 4 da manhã. Troquei a almofada pelo capacete e fiz-me à estrada. Saí da minha garagem sem saber sequer se ia para o Norte, Centro ou Sul, mas sabia que tinha de fazer 1000 km (quem nos dera que todos os problemas dos motociclistas fossem este…) J. Acabei por ir para Oeste por Sintra e Mafra e comecei a subir. Às seis e meia da manhã fui ver o nascer do sol à Nazaré e continuei para Norte. Fui para as “terras do Douro” e comecei a “descer”. Regressado às “terras do Tejo” liguei para casa para saber como seria o almoço. A minha mulher tranquilizou-me dizendo que a nossa bebé ainda dormia ferrada e que eu estava “dispensado” do biberon. Passei a ponte e segui para sul. Continuei a passear pelas estradas secundárias até perfazer os quilómetros necessários (não foi preciso chegar ao Algarve) e ainda fui visitar o Cabo Espichel já no caminho de regresso a Lisboa, onde a família (e a “esfomeada” da bebé) me esperavam. Cheguei à hora do lanche com um novo record pessoal: “A MINHA PRIMEIRA RODAGEM NON-STOP! (e num país onde muitas motas apenas “exibem” dois ou três mil quilómetros após diversos anos na garagem)”.
Depois de feita a revisão, arrancámos os quatro para Boticas (os dois políticos e dois amigos que nos acompanharam), de onde o Lés-a-Lés partiria. Lá chegados e apresentados ao Presidente da Câmara, lá nos preparámos para o arranque. Dadas as entrevistas pedidas (pois os repórteres da televisão acham curioso que dois políticos de bancadas opostas possam concordar em gostar de motas), fizemos o prólogo de cem quilómetros.
De toda a prova, confesso que só me custaram os primeiros quilómetros. Devido a alguma chuva dos dias anteriores, alguma da terra estava transformada em lama. Tal não me preocuparia se eu não fosse um “piloto de roda baixa” que mal chega com os pés ao chão na novíssima Yamaha Ténéré J. Após alguma “habituação” e ao belíssimo trabalho dos “mecânicos e barranquenhos” (private joke) da Yamaha que rebaixaram a suspensão traseira até ao impossível, foi possível a este “Marques Mendes” fazer algum “fora de estrada” sem cair uma única vez J.
Nos dias seguintes, percorremos inúmeros concelhos que dificilmente visitaríamos se não fosse por este passeio. Sempre que pude, alertei os respectivos autarcas que “investir no Lés-a-Lés” tem muito mais retorno do que construir mais uma qualquer rotunda neste país político viciado em “rotundite aguda”. Espero que continuem a seguir este conselho sincero no futuro.
Por falar em locais que dificilmente visitaríamos, seguimos o road-book até ao “Pulo do Lobo”. Devido a um único “lapso” do navegador (Gonçalo “Ganso” Ferreira), fomos conduzidos até à própria ravina, quando afinal era suposto estacioná-las cá em cima J. Para baixo, todos os santos ajudaram mas, na hora de subir (trepar), os santos fizeram greve J. As fantásticas Yamaha Ténéré’s quase que subiram sozinhas mas a Varadero do nosso “mochileiro” Bruno Faustino quis ver a ravina de perto e personalizou os seus plásticos e as malas laterais com as rochas. Felizmente, apenas o seu ego ficou ferido e, depois de levantada e empurrada a mota até cá em cima, pudemos seguir viagem.
(continua...)
Beijinhos